Fujam… Estudos de quando eu pensava que ia ser jornalista

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Texto realizado para uma das cadeiras de jornalismo que frequentei enquanto tb acabava o curso de Direito…

Manufacturing Consent

O documentário Manufacturing Consent introduz-nos à vida e obra de Noam Chomsky.

Noam Chomsky, professor no Massachusetts Institute of Technology (MIT), não se limita a ser um linguista de renome. Chomsky dedica grande parte do seu tempo a discutir o actual papel dos media naquilo a que chama o fabrico do consenso na sociedade de massas.

Podemos enquadrar a teoria de Chomsky na Teoria da Acção Política, na vertente de esquerda. Segundo a Teoria da Acção Política, as notícias servem interesses políticos e são, consequentemente, uma distorção sistemática da realidade que deviam – e podiam – espelhar. Para a vertente de esquerda da teoria, essa distorção deve-se ao facto de os jornalistas serem dependentes de um controlo ideológico: os media vão funcionar ao serviço da classe dominante. Fornecem a visão distorcida necessária para formar o consenso que interessa ao poder estabelecido.

Para Chomsky, a determinação daquilo que é notícia não é uma decisão independente do jornalista nem da organização jornalística. A notícia surge como determinada externamente, pelos poderes capitalistas. Chomsky destaca o poder dos anunciantes, dos donos dos grandes meios de comunicação social) e das fontes governamentais.

Analisando casos norte-americanos, Chomsky faz questão de afirmar e procurar demonstrar que a propaganda está para a democracia como a violência para a ditadura.

E vê propaganda no tratamento diferenciado de casos que considera semelhantes. Considera que só são noticiados os que interessam, sendo os outros escondidos. Tudo, sempre, para o fabrico do consenso que fortalece o poder estabelecido .

Além de não ser linear o tratamento de análise de conteúdo dado aos casos que o documentário mostra que o autor estudou, desde logo no caso Camboja vs Timor, importa também referirmos que esse estudo se realizou num momento próprio da história: a Guerra Fria. Mesmo que tenha tido aplicação, já não será essa a situação actual.

Para mais, na sociedade de hoje, e.g. com a internet, o acesso à informação é cada vez mais amplo e mais imediato.

Chomsky tem uma visão redutora do papel do jornalista. Não vê o jornalista como um profissional e nega-lhe autonomia. Parece ignorar a função de “contra-poder” ou “quarto-poder” que tantos atribuem aos jornalistas. E basta olharmos, por exemplo, para o caso Casa Pia para vermos como os media tantas vezes noticiam o que ao poder e às elites não interessa que seja notícia.

Há um certo consenso nos media, porque há consenso na sociedade. O consenso é uma das bases em que assenta a sociedade. É necessário e natural que existam valores fundamentais comuns.

Quanto à cobertura e tratamento semelhante dado pelos vários media aos casos que vêm ou não a ser notícia, isso não exprime necessariamente uma tentativa de fabrico de consentimento. Antes reflecte valores comuns de jornalistas cada vez mais instruídos e profissionalizados.

Acrescentemos que Chomsky tem em muito má conta o público em geral, que, a seu ver, simplesmente embarca nas artimanhas do poder sem qualquer vestígio de espirito crítico.

3 Respostas to “Fujam… Estudos de quando eu pensava que ia ser jornalista”

  1. migueltv Says:

    Muito bom!!! Mesmo!!!!🙂 A

  2. xoaninha Says:

    pois, aposto que não chegaste ao fim e voltaste a ficar como no post abaixo😉 A

  3. migueltv Says:

    claro q cheguei!!! e gostei muito!!! quanto ao facto de estar como no post abaixo… aí tens alguma razão hoje…mas nada, mesmo nada, a ver com o teu post🙂 A

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