Archive for the ‘pequenos gestos’ Category

“O sol e o menino dos pés frios”

Outubro 26, 2007

Chegou-me este e-mail. Não conheço a Comunidade Vida e Paz, mas esta equipa tem, desde já a minha admiração: Ouvem as pessoas. Por isso, aqui fica, para que quem passa pelo mundodosol possa ajudar a aquecer os pés frios:

“Campanha – Junta as tuas meias às minhas… e torna os dias e as noites de Lisboa mais quentes!
Campanha de Angariação de Meias para os Sem Abrigo de Lisboa
Comunidade Vida e Paz, Equipa B – Volta de 4ªFeira
Somos uma das muitas Equipas de Rua que colabora com a Comunidade Vida e
Paz no apoio aos Sem-Abrigo de Lisboa durante a noite.
E todas as noites ouvimos o mesmo pedido: Têm meias? Têm meias? Têm meias?
Pegámos nestes pedidos e decidimos realizar esta Campanha – Junta as tuas meias às minhas… e torna os dias e as noites mais quentes!

Objectivo – angariar 5000 pares de meias até à noite de Natal!

Para quem estiver interessado em aquecer os dias e as noites – contacte-nos
por mail!
vsophya@hotmail.com
Muito Obrigada pela ajuda… e pelas meias!
Sofia Valente”

Quanto ao titulo escolhido para este post, é um conto de Matilde Rosa Araújo, lido algures na minha 3.ª classe: “O sol e o menino dos pés frios”

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Pequenos gestos I

Abril 4, 2007

Ontem, parada no semáforo, em plena Estrela e com meia boca dormente após sair do dentista, dois nuestros hermanos, no carro ao lado, pediram-me indicações para o Aeroporto. Com a boca de lado e imaginando a confusão que seria explicar tal percurso, optei por fazer um desvio no caminho para casa e disse para seguirem o meu carro; o que fizeram todos contentes.

Confesso, o meu gesto foi mais pela atrapalhação do que por simpatia…; imaginar-me a explicar, em portunhol, com a boca dormente, todas as curvas e contracurvas desde a Estrela ao Aeroporto… Enfim, o desvio não era grande e assim, evitei esse ridículo…

No entanto, há quem tenha fantásticos pequenos gestos apenas por bom coração. Aqui deixo um, que se passou comigo:

Às portas de Vaitape, entre o mar, as flores e algumas pequenas casas, uma estrada com curvas, uma bicicleta sem travões e um imenso jet lag, impuseream um paragem de emergência naquele idílico passeio de lua de mel… O pequeno almoço do hotel ficou devolvido na berma da estrada e cambaleante, perante o olhar preocupado do recém-marido :), fui lavar a cara ao pequeno porto que ali havia.

Logo saltou um gigante, cheio de tatuagens a gritar: ne buvez pas cette eau. Meia atordoada, consegui esboçar um sorriso e responder, no esquecido francês, que não ia beber aquela água (por muito que me apetecesse). Achei simpática a preocupação.

Cambaleiei de volta até à bicicleta, devidamente escoltada pelo marido afligido (os homens assustam-se com muita facilidade)… Logo apareceu uma criança a oferecer-me uma garrafa de água congelada. O rótulo da garrafa era, praticamente, inexistente e a origem da água desconhecida…mas aceitei e bebi de bom grado aquela dádiva.

Conhecendo o meio simples em que me encontrava, procurei uns francos polinésios e dirigi-me à casa de onde a criança saíra, para pagar a água. O simpático gigante não aceitou qualquer pagamento, limitando-se a repetir com um sorrizo “c’est pour vous”. Restou-me, apenas, repetir eu Maruru (obrigada)… E nunca me vou esquecer daquele querido e muito tatuado gigante.